segunda-feira, 7 de setembro de 2009

GEÓGRAFA QUESTIONA OBRA DA PREFEITURA DE CAUCAIA NO ICARAÍ


A proposta é absolutamente descabida! Não resolve absolutamente o problema, sob nenhuma ótica, só o amplia! Primeiro, sacramenta a perda da praia, pois esta será fatalmente extinta: como não haverá controle da erosão, as areias ao pé do muro serão retiradas pelas ondas, que chegarão rapidamente ao próprio muro, o qual, sem sombra de dúvidas, em brevíssimo tempo seria também destruído. Assim, seria extinto o litoral, seria destruída a paisagem costeira e seria, literalmente, lançado dinheiro público no mar.

Esse processo degenerativo será ainda mais intenso e veloz se realmente se concretizarem (esperamos que não!) a instalação de estaleiro no Titanzinho, a regeneração das praias da Beira-Mar (que envolve construção de novos molhes, que são o mal inicial) e a continuação das obras de amplicação dos molhes da Leste-Oeste, já em curso, que também reterão areias em Fortaleza, ampliando a erosão em Caucaia.

Em adição, o muro produziria outra consequência nefasta: ampliaria a erosão nas praias da Tabuba, Cumbuco e em todo a faixa litorânea de São Gonçalo do Amarante! Aliás, se a prefeitura de São Gonçalo do Amarante estivesse atenta, imediatamente deveria se pronunciar contra esse projeto. Existem, sim, várias outras alternativas adequadas, como recomposição da faixa de praia e construção de quebra-mar, mas, a questão é, prioridade política, ausência de cultura ambiental e falta de visão territorial.

Na verdade, o que realmente faz-se urgente é a elaboração de um plano unificado de controle da erosão, envolvendo toda a faixa litorânea entre Fortaleza e São Gonçalo do Amarante.

Mas, onde anda o IBAMA? O que nós estamos presenciando é um pipocar de projetos e propostas desconectadas, desarticuladas, a nível municipal, estadual e federal: os municípios, o estado e o governo federal simplesmente estão sucateando o litoral da Região Metropolitana de Fortaleza de acordo com interesses momentâneos e particulares, com intervenções inclusive contraditórias: enquanto alguns projetos indicam regeneração de praias, outros, situados a apenas centenas de metros de distância, implicam em ampliação da erosão, inclusive das áreas regeneradas. Não é para isso, certamente, que os governantes são eleitos!”

Vanda Claudino Sales, professora e geógrafa.

VAMOS NÓS
– E agora Prefeitura de Caucaia, não adianta "tapar o sol com peneira"... A obra para salvar o Icaraí tem que ser feita, mas com responsabilidade, e não com "oba-oba" de amadores. É lamentável...
FONTE: Blog do Eliomar

5 comentários:

  1. Resposta do Cel. Paulo Guerra ao assunto:
    Sobre as críticas feitas neste Blog pela geógrafa Vanda Claudino ao projeto de construção de um muro de contenção para evitar o avanço do mar e mais destruição nas praias do Pacheco até o Icaraí, o vice-prefeito de Caucaia, Paulo Guerra (PDT) nos manda a seguinte nota:

    Prezado Eliomar,

    A crítica é a arte de apreciar méritos e deméritos visando aperfeiçoamentos futuros. Infelizmente a eminente geógrafa e professora preferiu apreciá-la somente no lado depreciativo.

    Assumimos a Prefeitura de Caucaia encontrando o problema crônico e de alta gravidade, isto é, a destruição, pela erosão marinha, de mais uma de nossas lindas praias, a do Icaraí.

    Estudamos, com critérios e amplitude, e, inclusive, convocamos o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias ( INPH), com sede no Rio de Janeiro, para avaliar o problema. Convocamos engenheiros hidráulicos, civis, de pesca a opinarem e proporem soluções urgentes.

    A opção em caráter emergencial pela tecnologia “wall bag” se deve ao fato de existir um laboratório prático à disposição. Isto é, um projeto real no litoral de Maceió, com sucesso, inclusive, tendo ocorrido a chamada engorda,a proteção contra a erosão e a reposição natural da areia retirada pelo processo erosivo.

    O Ministério Público Federal vem acompanhando nossos passos. Portanto, não nos parece racional a crítica da citada professora de que estamos praticando malversação dos recursos públicos. Para finalizar, o geógrafo estuda sobretudo os aspectos econômicos, sociais, políticos e culturais do problema.

    Uma crítica nessa área nos parece exigir um mínimo de conhecimento em engenharia, sobretudo hidráulica, ciência complexa, com especializações em hidromecânica, hidráulica fluvial e marítima, estruturas hidráulicas, com construções de diques, quebra-mares, piers, barragens,etc…

    Iremos realizar esta obra, sim, com a responsabilidade e determinação exigidas pelo povo de Caucaia, acostumado a sofrer pela omissão dos governantes passados ou por aceditarem em críticas infundadas e irresponsáveis como esta.

    Paulo Guerra
    Vice-Prefeito de Caucaia

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  2. As criticas existem, para que possamos crescer com elas!
    Os Lideres municipais de Caucaia (PMC), deveriam no minimo dar "ouvidos" a Professora da UFC: Vanda Claudino Sales, renomada autoridade no que se refere a assuntos do litoral do Ceará com "pós-doutorado em Dinâmica Costeira pela Universidade da Florida - USA".
    Vale salientar que a respectiva professora, divulga seus relatos e diagnosticos ao povo cearense por etica profissional e conhecedora do assunto e não por questão PARTIDÁRIA.

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  3. Vejam quanta "mancada" a PMC vem fazendo em relação a possivel obra no Icaraí:

    A Prefeitura de Caucaia, através da FAMA/ Fundação do Meio Ambiente de Caucaia resolveu "criar por conta própria" um EIA/ RIMA pra justificar as obras do muro de proteção de orla marítima de Caucaia. E para tanto contratou, por dispensa de licitação, consultoria de renomado escritório de arquitetura e urbanismo local. A intenção clara desta ação é "regularizar" a esdrúxula e inadequada proposta de implantar o tal muro de proteção a um custo previsto de 65 milhões de reais.

    Fonte: Blog Edilson Alves

    Envio esta informação para que o blogdodeusinho possa verificar respectivo assunto.

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  4. Prezado Senhor,

    Apenas com a declaração da douta professora e geógrafa de se adotar "espigões" como a melhor solução para o avanço do mar no Icaraí, já demonstra que a mesma está perdida no assunto. É de conhecimento geral que a tecnologia indicada pela mesma contribuiu para o agravamento da erosão marinha em Caucaia. Isso é fato e registrado em diversas obras de especialistas no assunto. Primeiro, a ínclita senhora deveria procurar conhecer a tecnologia "Bag Wall", para se fundamentar melhor. Trata-se de um dissipador de energia e não de um "muro" como ela interpreta sem conhecimento. O "Bag Wall" é um "Barra Mar", utilizado com sucesso nos EUA há mais de 50 anos e no Brasil resolveu com eficiência a erosão costeira da praia de Barra Nova-AL, pois provocou a engorda natural da praia e restabeleceu gradativamente a faixa de areia. Nós temos sim, é que aplaudir a iniciativa do governo municipal de Caucaia em procurar uma solução para o problema. Não podemos mais ficar de braços cruzados esperando o mar destruir o pouco que resta da nossa linda Icaraí. Com certeza os moradores e comerciantes do Icaraí refutaram veementemente as declarações da docente, pois não traz esperança, traz mais tristeza e desilusão.

    Gilberto Forte.

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  5. Como moradora da praia do Icaraí, posso dizer que este projeto veio como a "Tábua da Salvação" para o problema do avanço do mar. Os comerciantes, moradores e até a valorização de imóveis voltou a acontecer, porém, sobre a crítica de Vanda Claudino Sales, professora e geógrafa, acho conveniente entedermos, que a faixa degradada no Icaraí, Iparana e Pacheco é bem maior do que a de 1,37 Km, portanto poderá sim, não resolver o problema, se o BagWall não for implantado por toda a faixa litorânea de Caucaia.
    Também é fato, que a população, os barraqueiros e os empreendimentos hoteleiros continuam invadindo a faixa de terra, que deveria pertencer somente à praia.
    Logo, a solução do BagWall nos parece paleativa, sem falar, que o Prefeito prometeu perante a população litorânea, no dia 27/08/2010(no qual estive presente), que existe outro projeto de revitalização e padronização das barracas na Av Litorânea(local da obra iniciada do BagWall), juntamente com um calçadão.
    Discordando destes últimos: A melhor solução não seria recuar??? retirar as barracas, que ainda resistem e deixar o espaço natural da praia, para que a engorda acontecesse naturalmente?

    Atenciosamente,

    Flávia Nunes, estudante do 4 semestre de Hotelaria no IFCE- pólo Caucaia.

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