sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Plano Diretor de Caucaia] Chance de ter um crescimento urbano sustentável


O urbanista Fausto Nilo(foto) fala da oportunidade que o Ceará tem de fazer um urbanismo sustentável em função do Complexo do Pecém. Nilo faz parte da equipe de revisão do Plano Diretor de Caucaia.

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) tem parte da sua área no município de São Gonçalo do Amarante e parte em Caucaia. Em dezembro de 2011, foram contratadas empresas para revisar o plano diretor dos dois municípios, em conveniência também com o CIPP. O projeto de Caucaia está nas mãos do consórcio Fausto Nilo Arquitetura e Urbi.

A compreensão atual é de que a indústria envolve pessoas e meio ambiente, ao contrário do pensamento anterior de isolamento e distância dos centros de moradia. Em entrevista ao O POVO, o urbanista Fausto Nilo falou do desafio de aprontar uma meta de desenvolvimento urbano sustentável. Para ele, os complexos de Suape, em Pernambuco, e Camaçari, na Bahia, não tiveram sucesso nesse aspecto.

Nilo afirma que o urbanismo é pouco praticado, ou não é praticado, no Brasil. Dos 12 planos diretores que desenvolveu, o arquiteto disse que poucas ações foram realizadas, já que os gestores cobram respostas de curto prazo. Um projeto de urbanismo envolve um conjunto de propostas para o futuro desenvolvimento socioeconômico e futura organização espacial dos usos do solo.

O urbanista afirma que o desenvolvimento será ideal se “combinar qualidade de vida, qualidade ambiental, preocupações com redução da dependência energética, redução da dependência do transporte motorizado e valorização do tempo das pessoas, não utilizando o tempo com viagens, porque isso é uma alteração injusta do valor do tempo dos mais pobres”.

Fausto Nilo fez, há 11 anos, o plano diretor de São Gonçalo do Amarante, juntamente com Airton Ibiapina Montenegro e Eduardo Araújo. Na época, o temor do Governo do Estado era de abrir informações sobre a reserva de área para desenvolvimento industrial. Apesar das dificuldades, conseguiu incluir o Porto do Pecém no projeto. Também por lá, pouco foi praticado. (Andreh Jonathas)

Desenvolvimento no complexo do Pecém

O Complexo do Pecém começou com a infraestrutura, com o projeto de engenharia, que já existia. O desenho conveniente não foi feito. Se você leva uma proposta para uma empresa de qualquer lugar do mundo, ela querer saber a qualidade urbanística, ambiental para quem vai trabalhar. Já não se fala no urbanismo de regiões industriais só como industrial. Essa resistência acabou de se reduzir há dois meses no Ceará. Afinal, houve uma compreensão de que o trabalho junto das duas cidades, São Gonçalo do Amarante e Caucaia, com a mancha do CIPP, é indispensável para desenhar um verdadeiro plano diretor urbanístico.


Ser destaque nacional e mundial
Alemanha e Canadá têm inúmeras cidades com desenvolvimento urbano sustentável. Conseguiram a redução da dependência da energia, redução do crime, fortalecimento da vida de famílias e vizinhança, racionalidade construtiva, proteção da natureza. O que mais se pretende no mundo é criar regiões que tenham trabalho, consumo, saúde, educação, natureza, turismo e paisagens significativas e únicas. Quantos lugares no mundo têm essa chance como o Pecém? O Pecém tem chance de mostrar para o Brasil que o planejamento industrial inclui todas as outras atividades humanas, que é um campo de oportunidades, que pode descansar Fortaleza da sua migração, que pode favorecer a migração ordenada para maiores oportunidade de muitos conterrâneos que moram em lugares que não têm oportunidades.

Suape e Camaçari não conseguiram

Quando você vai criar uma grandiosa oportunidade de trabalho, a visão atual é que nós vamos ter fábricas, vias, infraestruturas e pessoas morando e trabalhando, de vários níveis sociais, com vários papeis. O território do Pecém tem que ser uma alternativa no Ceará para promover treinamento, atratividade programada e migração para o verdadeiro desenvolvimento qualificado. Para isso, temos que desenhar todas as bases de recepção de negócios, de moradia, de tudo que a vida demanda. Eu não posso colocar um muro e uma polícia expulsando os trabalhadores e uma fila de ônibus transportando pessoas depois do trabalho. Com isso, vou infernizar a vida de Fortaleza, infernizar a vida entre os dois, criar cidades dormitórios em vários lugares e a zona industrial vai ser uma coisa obscura, vai obscurecer o turismo, vai prejudicar a natureza. O CIPP traz uma oportunidade de fazer no Brasil o que nunca houve. Suape já foi feito, Camaçari já foi feito e são péssimos nesse aspecto. 


Erro comum em centros industriais
O primeiro erro e fundamental, que gera todos os subsequentes, é considerar que é um lugar só de indústrias, que as pessoas viajam, vão embora e voltam para trabalhar. É a matriz de todas as coisas ruins que podem surgir, favelas, invasão, crime, dependência energética. As indústrias descobrem uma maneira de racionalizar os custos, fazer um compartilhamento de custos e de urbanização em distritos industriais. A cidade odeia que você tenha um lugar que é só uma coisa. Houve uma ilusão de que ordenar uma metrópole nascente era criar zonas especializadas para cada coisa, recrear, trabalhar, morar... mas não fica muito longe uma coisa da outra? Mas agora tem automóvel. Esse era o American Dream. O grande erro era achar que a metrópole era a mesma cidade de antes, só que bem grande. Muitos urbanistas acham até hoje, mas não é. A metrópole tem uma natureza diferente da grande cidade.

Abandono forma a criminalidade
É indispensável que haja um entendimento entre o complexo e os dois municípios para desenhar um verdadeiro plano diretor urbanístico, de forma tal que a conveniência urbanística seja arranjada para morar e ir ao trabalho; para morar e ir às compras; para morar e ir à escola; para formar um sentido de compartilhamento e autoproteção melhor do que a política e para não depender tanto da escola naquilo que o ciclo vital reunido e a vizinhança formam dos cidadãos, do seu caráter e da capacidade de contribuir para a sociedade. Do contrario, nós estamos formando só o pessoal do crime pelo abandono das comunidades no horário de trabalho.

Mundo não suportará problemas urbanos
Reordenar a presença de oportunidades de todos os usos que o ser humano precisa em uma cidade em todos os lugares é não separar por usos e não colocar a pessoa para viajar. O lema do urbanismo atual do urbanismo sustentável é viajar menos, maior interatividade, porque quem dá segurança não polícia, é compartilhamento, espaço público qualificado para favorecer o intercâmbio. A definição mais universal de uma cidade é um lugar de intercâmbio, desde que deixamos de ser nômades. É demorado. Os projetos urbanos definitivos normalmente são de prazo de 25 a 30 anos. O País não tem uma prática de controle social. Se o projeto não fosse escondido, tivesse um conselho permanente que acompanha na cidade, como tem nos outros países, aí o prefeito entra e é obrigado a continuar porque aquele projeto é da comunidade. Ele não pode tirar do seu programa. Quando eu proponho um projeto de reforma urbanística, eu vou encontrar a reatividade de alguém que diz que 30 anos é muito tempo, acabou a reunião, não tem projeto. Por isso, acredito que, no momento, essas coisas não são possíveis, mas um dia serão, porque o mundo não suportará as dificuldade com os problemas urbanos da maneira como eles estão sendo encaminhados.

Descrença dos gestores
Sobral aplicou seis projetos estruturantes. Em sobral, percebe-se a diferença do desenvolvimento da cidade. Muitas cidades não cumprem nem as leis do código de obras, as leis de uso e ocupação do solo. Por que isso? Uma sociedade de origem rural tão recente, essa prática de adotar o planejamento, de acreditar que quantidades coordenadas, desenhos em escala, levantamentos bem feitos, quando junta tudo em papeis, corresponde a realidade palpável que pode ser construída. A maioria dos gestores não acredita nisso.


Diversidade de empresas e moradias

Vamos falar em termos de tendência e potencialidade. Eu desenhei um pequeno de conveniência de moradia em São Gonçalo do Amarante há oito anos e nunca prosseguiu. Há prospecções do pessoal imobiliário sobre futuro da região. Claro que um plano diretor de Caucaia e São Gonçalo, bem coordenado com o CIPP, já vai se antecipar para criar as boas conveniências de desenvolvimento imobiliário e ao mesmo tempo grandes oportunidades. O equilíbrio tem que ser esse. Se o desenvolvimento do Pecém for altamente qualificado em termos industriais, ele terá todas as classes sociais morando lá, que o melhor padrão de urbanização que existe, que você tenha oferta de moradia diversificada para variedade em renda e estilo de vida.


O quê

ENTENDA A NOTÍCIA

Planejamento urbano não é levado a sério pela maioria dos gestores. Muitos nem sabem o que é. Cuidar da população é investir na saúde, educação e moradia. Tudo está ligado à forma como a cidade vai ser organizada espacialmente.

Fonte: O Povo, via Blog de Caucaia

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